séries médicas: por que elas continuam fazendo sucesso?
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de um lado estava o dr. house, enlouquecendo em seu consultório por causa do vício em hidrocona. um clique no controle remoto e se podia ver o dr. shepherd, neurocirurgião do seattle grace hospital, em uma profunda crise, decidido a não operar mais. e, diante da telinha, é o espectador que se contorce de curiosidade agora que as temporadas de “house” e “grey’s anatomy” se encerraram.
exibida às quintas, às 23h no universal channel, “house” colocou o inglês hugh laurie entre os intocáveis da tv (como já foram jerry seinfeld e o sexteto de “friends”, lembra?). finalizou seu quinto ano e, desde que foi criada, não passa ilesa por premiações como o emmy ou o globo de ouro. sua trama é simples, mas bem sacada. conta a rotina do médico rabugento, mal-educado e brilhante que resolve os casos mais bizarros com a ajuda de uma equipe de jovens talentosos. mesmo com toda sua genialidade para diagnosticar doenças, house tem sérias dificuldades para se relacionar com os outros. primeiro lugar no ranking do ibope como o seriado mais visto da tv paga em 2008 (100 mil telespectadores em média por episódio), apresentou certa irregularidade nessa temporada. alguns episódios muito bons foram seguidos de outros um tanto repetitivos.
sexo combina com medicina?
já “grey’s anatomy” tem uma protagonista-narradora, a médica meredith grey (papel de ellen pompeo) e um time de coadjuvantes que se alternam ora dando apoio às tramas, ora sendo ponto central delas. pode ser vista às segundas-feiras, às 22h, no canal pago sony.

em seus capítulos finais, viu-se o neurocirurgião “boa-pinta” derek shepherd (vivido por patrick dempsey) largar a profissão após ter cometido um erro que custou a vida de uma paciente grávida. também ficou em evidência a história da médica-residente izzie stevens (katherine heigl) e sua luta para tratar um agressivo câncer que pode ter tirado seu personagem da trama. o final, bem… eu assisti e ainda reservou mais um acontecimento de tirar o fôlego.
o diferencial de “grey’s” está no humor negro dos diálogos, na constante tensão sexual entre os protagonistas e na presença de atores acima da média. um deles é a canadense sandra oh, que recentemente atuou em “ensaio sobre a cegueira”, de fernando meirelles, e também pode ser vista no filme-cult “sideways – entre umas e outras”.
bisturi, por favor?
mas, se não há nada de tão novo debaixo dos jalecos – mesmo em séries bem-sucedidas como essas –, por que os programas do gênero seguem em alta garantindo boa audiência? o gosto do público por desgraças pode ser uma das respostas. foi na década de 1960 que os executivos da tv americana descobriram que a relação médico-paciente dava dinheiro, com “dr. kildare” (1961) e, na sequência, “general hospital” (1963). depois de idas e vindas, o gênero bombou mesmo na década de 1990, com as estréias de “chicago hope” e “er” – a última sobrevivendo a inacreditáveis 14 temporadas e diversas trocas de elenco. seu capítulo final foi ao ar em abril deste ano nos eua. aqui no brasil, os derradeiros episódios são exibidos desde 15 de junho.
outra explicação para esse forte apelo ao espectador é o fato de o universo da medicina permitir inúmeros conflitos. por mais que haja a repetição de uma fórmula (o médico bonitão, a heroína problemática, os pacientes cativantes), existe espaço para o drama humano aparecer. surgem, então, os “queridinhos” do público, personagens que se destacam tanto a ponto de levar os fãs a seguirem a série só por causa deles. foi assim com o pediatra doug ross, interpretado por george clooney em “er”, e agora com o mal-humorado house, a atual unanimidade nas salas de emergência da ficção.
(por luciana borges, www.colheradacultural.com.br)
Tags: colherada cultural, doação de órgãos e tecidos, dr. house, grey's anatomy, luciana borges, seriados de tv, sony, universal channel
mãe de primeira viagem, formada em cinema pela faap, faço, principalmente, programação e seleção de filmes. com o nascimento do meu filho, benjamim, me vi completamente obcecada pelo universo infantil, como quase todas as mães. além dos filmes, que pesquiso diariamente, passei a incluir na busca roupinhas, livros e outras coisas que as mães vivem babando por aí.









eu tenho uma queda por medicos. pronto falei.
28 de setembro as 23:22